Foto: ju sajjad
Estava refletindo esta semana sobre a dificuldade de operar algumas mudanças na vida. Algumas coisas são tão simples de mudar que só o nosso desejo é o suficiente para que ela ocorra. Enquanto outras dão tanto trabalho que dão a impressão de estagnação, passa o tempo e não conseguimos ver nenhum resultado. Mas é assim mesmo que ocorre? Ou somos nós que desanimamos com a demora e desistimos antes de vencer?
A psicologia salienta que vários processos de mudanças são lentos. Mudamos gradualmente, ás vezes, de forma imperceptível, o que dá a falsa impressão de não progressão. E com isso grande parte das pessoas desiste do processo. Afinal, quem gosta de sentir como se todos os seus esforços fossem em vão? Pensando nessa dificuldade trouxe uma parte do livro Mestre Silencioso para refletirmos:
Foto: GLady
"Por muitas semanas estive observando um casulo, esperando que a borboleta emergisse. Era difícil acreditar que houvesse algum tipo de vida em seu interior, e cheguei a imaginar que talvez estivesse morta. Meu mestre assegurou-me que muita coisa estava acontecendo sem que eu visse. "Aprenda a ser paciente...observe..." , aconselhou-me.
Um dia pensei ter visto um indício de movimento. Aproximando o ouvido do casulo, fiquei surpresa e excitada ao escutar os ínfimos sons provocados pelos arranhões da borboleta em seu interior. Depois de esperar muito, finalmente eu iria ver a borboleta sair. Mas parecia levar muito tempo.
Embora eu aguardasse várias horas, o casulo ainda não parecia prestes a ser rasgado. Com muito cuidado, descasquei a camada exterior do casulo para libertar a borboleta. Ela emergiu, de fato, mas não conseguia voar! Era apenas capaz de andar e bater de leve as asas.
Quando pedi ajuda a meu mestre, ele percebeu imediatamente o que eu fizera, ainda que eu não dissesse nada. Tinha interferido no processo da borboleta. O esforço _ o trabalho _ de quebrar o casulo e sair de dentro era uma parte necessária da transformação da borboleta. Em minha ignorância, eliminei o trabalho de que seu organismo necessitava para uma longa existência de Voos."
Foto: Nastya Gepp
No autodescobrimento, o trabalho é um processo cheio de alegria! Sim, envolve esforço, e envolve mudar a si mesmo. Pode envolver fazer coisas "assustadoras", pela primeira vez, e algum sacrifício. Porém a palavra sacrifício vem de uma raiz que significa "tornar sagrado". O sacrifício não é, de fato, uma perda.
Seu trabalho é unicamente seu. Ninguém pode fazer seu trabalho ou viver a sua vida_ ninguém pode saber sua verdade. A verdade é que todas as lutas, esforços, obstáculos, e todos os erros estão destinados a terminar em vitória não em derrota.
Foto: Jill111
Conclusão:
Quantas vezes decidimos mudar e paramos no primeiro contratempo? Queremos a mudança, mas esperamos que ela aconteça sem muito esforço, e quando isso não ocorre desistimos sem ao menos tentar.
Não importa o que você quer mudar, pode ser deixar de fumar, mudar de emprego, de cidade, etc. O processo é sempre o mesmo. Sem esforço, dedicação e persistência não chegaremos a lugar algum. Nossos erros devem servir como aprendizagem, não como motivos para desistirmos. Lembre-se que se a lagarta não se entregasse ao lento processo de transformação ela jamais se tornaria borboleta.
Referências:
Kim, Tae Yun - Mestre Silencioso - São Paulo, 1994 - Circulo do Livro.
Tae Yun Kim é grã-mestra de artes marciais, ensina muito mais que artes marciais, ensina fundamentalmente vida - como vivê-la plenamente, com alegria e amor, repleta de paz e propósito. Enfrentou inúmeros preconceitos para se tornar grã-mestra, um território masculino. Nasceu na Coréia em 2 de fevereiro de 1945, em meio à guerra, à pobreza e à fome. Suas lembranças mais antigas são dolorosas demais para a maioria de nós. Contudo, um de seus símbolos é a flor de lótus - uma flor que emerge apenas da água suja e parada, utiliza a lama em decomposição para se nutrir e ganhar força, depois ergue-se em toda a sua plenitude à vista de todos. Eric Armstrong, no prefácio do livro.



































